Provavelmente já se debateram com fins-de semana ou dias de férias em que as ideias para entreter os miúdos faltavam (e os recursos muitas vezes também). Eu sempre me habituei a ter uma lista com alguns locais ou experiências que ia lendo ou ouvindo falar e guardava para depois visitar ou fazer com os meus filhos quando houvesse tempo.

Coisas simples mas que podem tornar qualquer saída de casa numa nova aventura, uma nova forma de ver o que nos rodeia, e claro, de viajar! Para começar, temos o essencial, estarmos juntos, e isso continua a ser o mais importante.

Mas todos os pais sabem que sair com os miúdos é sempre um enorme desafio, um abandono da nossa zona de conforto. E eu só continuo a fazê-lo porque acho que compensa largamente. Porque nem sempre é fácil, nem sempre há criatividade que aguente!

Aqui ficam então algumas ideias a recorrer sempre que quiserem surpreender a família. Não é uma lista de roteiros culturais, para fazer em determinada cidade, é sim um conjunto de actividades que faço com os meus filhos, muitas delas gratuitas e que tanto podem ser usadas perto como longe de casa, por apenas uma hora ou durante um dia inteiro. Divirtam-se!

Fazer “geocaching”

Lembram-se dos peddy papers? Pois isto é um peddy paper moderno. É conseguir descobrir coisas escondidas, saber interpretar pistas, treinar a capacidade de observação. Trabalhar em equipa e usufruir da natureza. Basta ter um GPS e algum espírito aventureiro. Está presente em todo o mundo e é gratuito.

Fazer um piquenique

Há quanto tempo não fazem um piquenique? A crise económica que vivemos fez reavivar este hábito, mas eu sempre o pratiquei em família. Porque os piqueniques são acima de tudo uma forma de estarmos em contacto com a natureza, de experimentarmos sensações novas.

Tenho muitas memórias de infância, com a família toda reunida nas longas tardes de Verão, à espera da hora de irmos para a praia. Eu sempre fiz muitos piqueniques com os meus filhos, em Portugal e lá fora, e já encontrámos muitas outras famílias a fazer o mesmo.

Claro que na hora de escolher o estilo, cada um opta pelo seu: mesmo à séria, com cesta de verga e toalha aos quadradinhos, ou um estilo mais descontraído onde qualquer rocha ou relvado serve perfeitamente para nos deliciarmos com uma simples peça de fruta ou pão misto.

Fotografar um tema

Uma forma de ocupar mãos e espírito criativo das crianças pode ser dar-lhes uma máquina fotográfica (ou um telemóvel). Com mais ou menos botões, mais ou menos pixels, a intenção é que conta.

Para elevar a piada e a responsabilização, pode-se até criar concursos com a eleição das fotos mais giras com vencedor e tudo ou então criar uma espécie de missão para o dia – fotografar portas, bicicletas, sapatos, por exemplo, servindo como uma forma de estimular a curiosidade e a atenção ao detalhe da criançada.

Encontrar o caminho

Gosto de me deixar perder nas cidades que não conheço, mas também faço isso numa zona ou parque desconhecido de uma qualquer cidade que já conheço bem. Com os miúdos, delimito uma zona de segurança e deixo que sejam eles a guiar o nosso percurso.

Eles ficam com o mapa ou o GPS e decidem se viramos à esquerda ou à direita. Ficam entretidos e eu ganho uma ajuda extra. E além de aprofundarem algumas noções de geografia, ainda sentem que fazem parte da viagem, que são elementos activos e úteis daquela experiência. Saímos todos a ganhar, portanto!

Usar os skates, os patins, as bicicletas

Assim o tempo o permita, “rua” é a palavra que mais repito. E cada vez há mais percursos preparados para as bicicletas e afins por aí, por isso não há qualquer desculpa. E com as devidas preferências e adaptações, é praticável em qualquer idade, não é poluente, ajuda à boa forma física e não tem qualquer custo associado. Tudo vantagens.

Jogar à bola na praia

Além de ser exercício físico, é também uma boa oportunidade de estarmos em contacto com o ar puro e ainda de conhecer novas pessoas. Porque enquanto os rapazes eram pequenos era eu que jogava com eles, mas agora já não consigo acompanhar o ritmo e por isso delego tal actividade a outros rapazes (ou raparigas) que estejam no mesmo sítio e à mesma hora que nós. E a rede social aumenta!

Andar de transportes

Desde que os miúdos são pequenos, aqui ou lá fora, sempre usámos muitos transportes públicos, alguns novos outros já nossos conhecidos, mas sempre fiz questão que eles tivessem a oportunidade de os conhecer e saber utilizar.

Ensinei-os a comprar o bilhete, a encontrar a plataforma de partida, a escolher a estação de saída no metro, no comboio com restaurante, com dois andares ou a vapor, no autocarro urbano, no autocarro de longas distâncias, no ferry, no barco a remos, no eléctrico turístico.

A última dessas experiências em transportes foi o elevador da Nazaré, comprámos apenas o bilhete de ida e descemos a pé. E valeu a pena.

Experimentar algo novo

Os meus filhos são muito activos e curiosos e por isso temos participado em muitas actividades diferentes ao longo dos últimos anos. Seja um desporto, uma manifestação artística ou visita cultural, o importante é estarmos dispostos a experimentar algo pela primeira vez. Se gostarmos, depois repetimos. Senão, ficamos com a experiência.

Às vezes perguntam-me como consegui ir ou fazer determinada coisa com eles. Em primeiro lugar é preciso estar disponível e depois, perguntar se é possível. Porque muitas vezes é mesmo só isso que é preciso: perguntar, e não partir logo do princípio que “aquilo não é para crianças”.

Uma das coisas mais divertida que fizemos recentemente foi um fish spa em família. Mas também gostamos de jogar mini golfe, por exemplo.